Missão empresarial indiana e o mercado coureiro

Numa média de 100 empresários, investidores, jornalistas e profissionais dos setores de couro de calçados do Brasil participaram do seminário “Oportunidades de Negócios Emergentes na Índia”, evento que visou o incremento das relações comerciais bilaterais entre os dois países.  .

Na abertura do evento, precedida pelo acendimento da tradicional Lâmpada Cerimonial indiana que sinaliza sorte para os negócios, o empresário Panaruna Aqeel Ahmed, da Florence Shoes Company, destacou a importância estratégica da indústria do couro indiana, que hoje fatura US$ 11 bilhões anualmente com perspectiva de crescimento da ordem de 25% nos próximos cinco anos.

Make in India - Rajendra K. Jalan - diretor do CLE - Council of Lether Exports

O Embaixador da Índia no Brasil, Sunil Lal, acrescentou que seu país hoje detém o 2º mercado consumidor do mundo e a qualidade e quantidade da mão-de-obra para a produção, ressaltando, em contrapartida, a expertise brasileira na conquista de novos mercados. “O Brasil consegue criar vários mercados onde ainda não conseguimos entrar, como a América Latina, por exemplo. As boas práticas em relação à agua e reciclagem hídrica são pontos em que podemos aprender com o país, assim como detectar quais os produtos que as pessoas estão querendo. Sem duvida, este é o momento correto”, analisou o diplomata.

Rajendra Kumar Jalan, diretor do CLE – Council of Lether Exports, ressaltou o crescimento expressivo do PIB indiano, o maior do mundo, prevendo um incremento de 7,8% em 2016 e 9% em 2017. “Somos a 2ª sociedade consumidora do mundo e deveremos atingir, em 2020, um montante de US$ 3,5 trilhões ao ano”. Para Jalan, os benefícios oferecidos pela Índia para os investidores, aliados a estabilidade politica, são diferenciais importantes. “Os investidores estrangeiros tem os mesmos benefícios dos indianos, temos uma estrutura politica previsível e um sistema jurídico forte que não prevê mudanças abruptas”.

O Presidente do CLE – Council of Lether Exports, Rafeeque Ahmed, falou sobre as características que aproximam os dois países. “Brasil e Índia fazem negócios com o coração, vocês gostam de conhecer as pessoas e nós também. Acredito que, no futuro, as economias do mundo irão depender dos nossos países por causa da confiança que temos em nossas populações”, exultou Ahmed.  

Roberto Paranhos, Presidente da Câmara Brasil Índia e vice-presidente da Fiesp, lançou mão da experiência como executivo internacional para traçar um panorama sobre os dois países. “Meus melhores parceiros sempre foram os indianos, além da cultura sempre fomos muito próximo em termos humanos. Hoje, a Índia é o melhor lugar para atingir o mercado internacional e será um país líder daqui a alguns anos. Nós podemos estabelecer empresas em ambos os países, não só para vender ou comprar, mas também para desenvolver sinergias”, declarou Paranhos.

Finalizando o encontro, Fernando Bellese, gerente de marketing e sustentabilidade da Divisão de Couro da JBS, que mantem 22 plantas instaladas no Brasil e outros 5 países, discursou sobre as vantagens e desafios enfrentados pelas empresas que visam a internacionalização. Dentre os benefícios, Bellese destacou o acesso a novos mercados, a proximidade com o consumidor, a adaptação às oscilações do mercado e a oportunidade de reduzir custos. Em relação aos desafios, o executivo elenca o entendimento das leis e cultura locais, a competição internacional, os custos de implementação e o acesso ao crédito e sistema bancário. “O processamento da matéria prima tem que ser na origem, com manufatura e prestação de serviços próximos ao cliente, assim como a pré-venda e venda são mais eficientes com base local. Os negócios só acontecem com forte conhecimento da cultura local”, finalizou o executivo.

Make in India 

Lançado em setembro de 2014, o projeto “Make in India” visa facilitar o investimento e promover a inovação, em 25 setores produtivos, para transformar a Índia em um centro de design e fabricação global, aumentando a participação do setor manufatureiro para 25% do PIB nos próximos 3 anos.

O primeiro evento do projeto no Brasil, que abordou os setores de couro e calçados, aconteceu durante a participação da missão empresarial indiana na Couromoda/2016, uma das maiores feiras sul-americanas do segmento. Na ocasião, o projeto direcionou seus esforços para a divulgação das oportunidades oferecidas pelo setor de couros indiano para empresas brasileiras que buscam a internacionalização através de abertura de filiais ou estabelecimento de joint ventures e parcerias com empresas locais.

Para tanto, as empresas que pretendem se instalar em território indiano recebem toda a orientação e consultoria nas fases de pré-investimento e execução como também suporte pós-realização, que inclui isenção de impostos para a importação de máquinas, imposto especial para calçados produzidos com couro, isenção para importação de diversos tipos de couros e peles, subvenção no custo de instalações e máquinas para micro e pequenas empresas e incentivos para projetos de modernização ou instalação de estações de tratamentos de efluentes, entre outros.  .

Atualmente, a cadeia de couro indiana – desde matérias-primas até produtos finais – gera um volume anual da ordem de US$ 12 bilhões, apresentando perspectivas bastante otimistas em relação ao potencial dos mercados interno e externo. As exportações de couro deverão crescer uma média de 24% ao ano no próximo quinquênio e o país, que se posiciona como 2º produtor  de calçados e produtos de couro do mundo, prevê que o consumo interno deverá dobrar em curto prazo.   

Mais informações sobre o projeto Make in India no Brasil:  

http://hotmarketing.com.br/makeinindia/index.htm