Pêssankas: Mara Porto no Shopping Guararapes

7Com a proximidade das comemorações da Páscoa, acontece no período de 01 a 31 de março na Praça de Eventos do Shopping Guararapes de recife/Pernambuco, a Mostra Cultural “Pêssankas: A Arte Milenar Ucraniana”, exposição oficial do Consulado Honorário da Ucrânia em São Paulo e da Sociedade Ucraniano Brasileira “Unificação” produzida pela Coutinho Eventos sob a curadoria do jornalista Maurício Coutinho e da produtora cultural Mara Porto, com apoio dos artistas plásticos Eloir Jr. e Carla Schwab.

Na exposição serão apresentados os mais significativos itens da cultura ucraniana, incluindo as famosas “pêssankas”, ovos pintados de forma colorida com uma linguagem própria de símbolos e sinais de prosperidade, saúde e paz, além de peças criadas por Alice Noga e Julia Regina Bordun Bertoldi, que representam a “Vesela Artes”, em Curitiba.

12714267_1022762574432370_1276252441_nEm painéis e vitrines especiais, afirma Coutinho, teremos um pequeno resumo da importância da Ucrânia e sua arte milenar, enfocando desde a pintura das Pêssankas, até a dança, a música e as artes de modo em geral, bem como aspectos geográficos, econômicos e sociais da própria Ucrânia, através dos trabalhos de artistas das colônias ucranianas do Sul do Brasil, destacando-se dentre eles, dois nomes consagrados como Eloir Jr. e Carla Schwab, de Curitiba, Paraná, que estarão utilizando os trajes do Grupo Folclórico Ucraniano Barvinok da SUBRAS/Sociedade Ucraniana do Brasil em Curitiba.

Segundo Jorge Rybka, Cônsul Honorário da Ucrânia em São Paulo, a cultura ucraniana sempre foi conhecida pelo artesanato, que inclui a decoração de ovos – as famosas pêssankas – bordados – toalhas, chamadas de Rushneks – camisas, roupas, xilogravuras e pinturas de bonecas, criando um estilo próprio e único em suas danças e cultura em geral.  A Ucrânia é o segundo país da Europa, com quase 47 milhões de habitantes. A nação ucraniana resistiu por séculos, a todas as tentativas de absorção e assimilação de outras culturas, continuando a manter, através dos confins que a dividem, a unidade da língua, cultura e de espírito: que sempre defendeu com sacrifícios de homens e bens, o ideal pátrio, em todo e no mais longínquo ponto de seu território étnico.

As “Pêssankas”

Na história do povo ucraniano sempre esteve presente uma tradição de colorir ovos na época em que o Sol voltava triunfante, eliminando a neve que cobria a rica terra negra da Ucrânia. Em escavações arqueológicas, foram encontrados indícios desta arte a mais de 3.000 anos antes de Cristo, sendo que naquela época, eram utilizadas ferramentas muito rústicas para se confeccionar uma pêssanka.

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A explicação para o interesse do ser humano antigo pelo ovo, está no fato do mesmo possuir uma magia incrível, pois de uma forma simples e rude, surgiria a vida. Com o passar dos anos, as ferramentas gradativamente evoluíram e com elas o homem conseguiu melhorar suas condições materiais e também os resultados da suas pinturas em ovos, surgindo melhores definições daquilo que desejava expressar.

Os ucranianos, em paridade com todos os povos antigos, veneravam a natureza e os regentes dos elementos. Assim como outros povos antigos veneravam o Sol com Apolo e seu carro puxado por leões, os ucranianos reconheciam no mesmo astro, o Dajbóh, e à ele ofereciam homenagens, pois novamente traria luz e calor para a Terra. O verde substituiria o branco da neve, as flores voltariam a desabrochar, as árvores ofereceriam seus frutos novamente e o povo poderia trabalhar a terra para obter seu sustento.

A festa da Primavera era um evento alegre, era acendida uma grande fogueira no meio da aldeia e todos comemoravam a chegada de Dajbóh, no exato momento do Solstício de Primavera. Desde o início deste dia o povo estava em festa. Oferecia seus presentes ao regente Dajbóh e entre os mesmos estavam as pêssankas. Nelas estavam gravados os raios de luz que seriam oferecidos à terra, a partir desta importante data do povo antigo. Também nesta festa eram oferecidas pêssankas aos entes da natureza, fazendo seus agradecimentos pelas colheitas e também firmando seus pedidos para que a terra continuasse produzindo aquilo que necessitavam para viver. Estas pêssankas eram enterradas no campo, nas lavouras, pois deveriam ser presentes aos amados entes da natureza. Neste tempo anterior ao cristianismo, o povo tinha suas crenças voltadas para aquilo que via e sentia.
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Era uma época em que mais do que nunca, o ucraniano estava ligado à natureza, sua fonte de vida e energia. Em 988, através do Príncipe Volodymir, a Ucrânia é batizada nas margens do Rio Dnipró, passando a adotar o cristianismo como religião oficial.

O povo absorveu essa mudança, mas não aceitou abandonar seus antigos rituais, como as Festas da Primavera. A solução encontrada pelo clero foi a adaptação deste antigos costumes, como símbolos cristãos, ou seja, permitiam e até apoiavam o povo à manter essas tradições consideradas pagãs, mas lhes incutiam um simbolismo correlato ao cristianismo. A antiga e tradicional Festa da Primavera, transformou-se na Páscoa cristã, por se tratar da mesma época. O povo continuava com os antigos festejos, mas mudava-se gradativamente o sentido da ocasião festiva. As pêssankas, continuaram existindo, o povo não deixou o costume de colorir ovos para expressar seus sentimentos, mas o clero religioso fez com que se abandonassem as crenças nos entes da natureza, deviam ser extintos os costumes tidos como pagãos.

3As pessoas passaram então a fazer pêssankas para dar aos parentes e amigos respeitados, na época da Páscoa, para demonstrar tudo aquilo que desejavam para seus entes queridos. As pequenas obras de arte também passaram a aparecer em datas importantes, como casamentos e nascimentos, como materialização das boas intenções que se queria expressar.

Na conturbada história da Ucrânia, o povo passou por muitos períodos de instabilidade social, tendo muitas vezes a miséria e a opressão imperando sobre seus lares. Domínios russos, poloneses, austríacos, húngaros, duas guerras mundiais, o comunismo … e as pêssankas continuam acompanhando a vida desta gente, que veio para o Brasil em busca de um futuro melhor para seus filhos, trazendo na bagagem uma cultura milenar, que hoje respira a liberdade. A Ucrânia, em 1991 finalmente adquiriu sua independência, exigida pela população que saiu às ruas e hoje, além da seu valor cultural, simbólico e artístico, as pêssankas passaram a ser um símbolo de longevidade para uma Ucrânia livre e independente.

Artista plástico: Eloi Jr.

Nascido em Curitiba/Paraná, Eloir Jr. (foto) é artista plástico pós-graduado pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná e graduado pela Universidade Tuiuti do Paraná, expõe profissionalmente seus trabalhos artísticos em mostras individuais, coletivas, e salões de arte desde 1997, obtendo nove premiações durante este período e suas obras estão em coleções de acervos nacionais, internacionais, livros de arte e cultura e nas edições da Casa Cor Paraná. Em 2010 representou o Estado do Paraná na cidade francesa de Vaire-Sur-Marne.
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Há 19 anos é estudioso das etnias européias que imigraram e colonizaram a terra Paranaense, região sul do Brasil, com enfoque principal na cultura eslava da Polônia e Ucrânia, onde não só expressa a pintura sobre a tela, como também o artesanato cultural destes países.

Seu trabalho é alegre, colorido e resgata as nossas memórias culturais trazidas pelos diversos povos. Inspirando-se nos folclores polonês, ucraniano, português, italiano entre outros, o artista consegue demonstrar a convivência harmoniosa das etnias que fazem parte de sua terra natal, a terra de todas as gentes.

Em seu percurso artístico se identificou com a linguagem Naife, que traduz a pura expressão ingênua da cultura, hábitos e costumes em harmonia com ícones paranistas, como gralha azul, araucárias e pinhões.

por Cecília Coutinho – Revista Paulista