São Paulo: O “Pós-Fundação”

Cerca de dois anos após o 25 de janeiro de 1554, a vila apesar de já ter sua igreja (de pau-a-pique, coberta de folhas de palmeira) e algumas humildes casas ao redor, construídas sob a supervisão do irmão leigo e carpinteiro Afonso Brás, ainda não tinha o foro de vila, coisa que só viria a acontecer em 1560, quando a vizinha vila de Santo André da Borda do Campo, fora desativada, mudando com sua gente, Câmara e pelourinho, para a colina histórica. A desativação daquela vila, construída em local ermo, foi feita a mando do governador-geral, por causa dos constantes ataques dos índios das tribos contrárias: Carijós, Tamoios e Tupinambás.

+SP 1560Foi somente a partir de 1565, que os poucos colonos, se aventuraram a construir suas moradias fora do núcleo central, então murado (a região do atual Pátio do Colégio), se espalhando junto aos caminhos que por ali passavam.

Estes eram naquele tempo, apenas dois antigos caminhos indígenas, que se cruzavam na colina, e que com o correr dos anos e séculos, acabaram formando o esqueleto viário atual, do centro. O maior desses caminhos era o chamado “Peabirú”, uma trilha indígena muito antiga, que ligava o litoral vicentino às regiões do atual Paraguai. Vindo através da Mooca, e subindo a colina, deu formação às ruas Tabatinguera, do Carmo, Direita, Dr. Falcão Filho, Quirino de Andrade e Consolação.

Mapa de SP 1560O outro, no sentido norte-sul, ligava a aldeia do chefe Tibiriçá, na atual região do Bom Retiro, com outra aldeia do chefe Caiuby, situada na região de Santo Amaro, dando origem às ruas Florêncio de Abreu, Boa Vista, Quinze de Novembro, Quintino Bocaiuva e Liberdade. O cruzamento desses caminhos se daria no local onde atualmente está o largo da Misericórdia.

Assim, no alvorecer do século XVII, já começavam a ser ocupadas (e formadas), as futuras ruas do Carmo, Direita, Quinze de Novembro e Boa Vista. Com a construção da igreja-matriz (iniciada em 1588), junto ao início da rua Direita, delineava-se em frente à mesma, um  largo, a futura praça da Sé.

Gilberto Calixto Rios