Espetáculo circense aborda temas polêmicos

Por meio de peças teatrais, os alunos da Universidade Estadual Paulista (UNESP) recebem informações sobre as consequências da violência e do uso excessivo de álcool. As apresentações são realizadas pelo psiquiatra e ator circense Flávio Falcone, que utiliza palhaço, dança, acrobacia e mágica, retratando passagens na vida de um ébrio.

imagem_release_645231A peça será apresentada em 17 campi da Universidade para alunos, funcionários e corpo docente. O projeto teve início em novembro de 2015 e se encerrará em maio deste ano. A iniciativa de trabalhar a peça foi da própria UNESP, após a morte de quatro estudantes por excesso de álcool e os diversos casos de estupro ocorridos no espaço acadêmico, registrados durante o ano passado.

O objetivo principal destas apresentações é promover a conscientização dos riscos do abuso do álcool e os diversos tipos de violência contra a mulher. “Contribuir para a redução dos efeitos nocivos que o álcool pode causar também é um dos nossos principais objetivos já que ele pode estar ligado aos casos de violência e abuso sexual”, afirma Flávio Falcone.

Nas Universidades, a utilização abusiva de álcool e drogas está bastante presente no dia a dia dos estudantes. Desde o início da vida acadêmica, os jovens são recebidos com festas regadas a bebidas alcoólicas e drogas. A violência, física ou verbal, contra a mulher também é tema comum neste universo acadêmico. “Embora poucos se assumam machistas, a sociedade está cheia destes personagens e as mulheres quase que diariamente se deparam em uma situação de violência contra sua essência”, comenta Falcone.

Segundo resultados parciais de uma pesquisa realizada pelo PROAD (Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes/UNIFESP), com 284 jovens expectadores do espetáculo, cerca de 18% deles afirmaram terem sofrido este tipo de abuso e quase 30% afirmaram que conhecem uma vítima de abuso sexual sofrido em Universidades. E quase 16% dos entrevistados se consideravam machistas.

Sobre o álcool, a mesma pesquisa mostrou que 80% dos entrevistados afirmaram ter ingerido bebidas alcoólicas recentemente e 71% diz perceber as alterações que o álcool provoca, da perda da coordenação até do autocontrole.  Além disso, a pesquisa mostrou que a primeira ingestão acontece entre os 15 e 19 anos. A pesquisa também revelou que cerca de 27% dos jovens procuram primeiro a internet para esclarecimento de dúvidas sobre os riscos do álcool e drogas, em seguida, com 26% procurariam os amigos.

Para o Flávio Falcone o tema é atual e deve ser debatido entre os jovens. “O uso de álcool está incorporado na cultura nacional e é constantemente estimulado em propagandas de diversas mídias que o associam à jovialidade, estereótipos beleza, conquistas amorosas e sensação de felicidade”, afirma. Esta ação da UNESP recebeu cerca de 95% de aprovação dos alunos, segundo a pesquisa do PROAD. Eles acreditam que intervenções como esta são eficazes para amenizar os problemas de violência e abuso de álcool dentro do campus.

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