Lylla Marry e o desafio de criar moda

Esta mineira parece uma boneca dos anos 50. Uma verdadeira Pin-Up. Apaixonada por moda desde sua adolescência, já acompanhava o trabalho de uma tia que desenvolvia projetos de moda. Hoje ela fala com orgulho desta tia, que mora fora do país e abre os Carnavais de Veneza, com suas criações.

A moda despertou o seu lado criativo e o bom gosto por esta arte tão diferenciada e exclusiva. Mas a vida a direcionou para outros caminhos.

Lylla conta-nos que começou a trabalhar como assessora de uma diretora de “um certo” partido político, que viajava para vários lugares do mundo e trazia em sua bagagem as mais diferentes peças de vestuário. Mas quando ela experimentava as peças, algumas não lhe caiam bem e ela as dava para Lylla. Como não eram do seu tamanho, customizava as peças, dando um ar diferente, “…eu transformava as peças de acordo com o meu gosto, dando uma cara nova!”.

E a surpresa maior foi quando a diretora, ao ver as peças, adorou as transformações e reconheceu que Lylla estava trabalhando numa área onde sua criatividade não estava sendo bem aproveitada. Vendo que sua funcionária tinha jeito para a moda, patrocinou seus estudos, e foi assim que se formou em Moda, indo trabalhar em uma loja como estilista. Porém, ela se sentia presa para criar, pois as peças que desenhava eram de acordo com a linha que a loja preferia atender.

   

Seu currículo inclui cursos com Jun Nakao e um curso de figurino para cinema e tv com Paula Iglesias no MAM. E após conhecer e se interar com o mundo da moda nas tvs, teatros e cinemas, chegou a conclusão de que era esta a carreira que estava decidida a seguir.

Um fato curioso em sua performance de estilista, é que ela não gosta de que vejam o seu trabalho em uma fase intermediária, antes da entrega.

“Certa vez, adianta-nos, ainda recém-formada, três escolas me contrataram para desenvolver os seus figurinos e, curiosas, as contratantes insistiam em ver o trabalho em andamento, temendo que meu trabalho não estivesse à altura de suas expectativas. No dia da entrega, a surpresa foi positivamente maior, retirando toda a dúvida sobre a minha capacidade e criatividade”, conclui orgulhosamente. Atualmente a sua especialidade são figurinos voltados para ballet (sua paixão), jazz, tango, peças teatrais e cinema, com agenda concorrida, atendendo várias escolas de ballet.

Como funciona sua criação? A professora de dança dá o tema e algumas idéias, e a nossa Pin-Up cria livremente. Podemos destacar também alguns trabalhos na TV, tais como duas peças para Chiquinhas, Festa Plus-Size na Rede Record, Multishow, peças no Teatro Gazeta e Teatro Brigadeiro.

O interessante de sua inspiração é que ela une a arte e a moda. Criou uma coleção inspirada no quadro Azul e Rosa de Renoir. Como percebem, ela ama realmente o que faz.

Sem saber eu comecei esta matéria chamando-a de Pin-Up, e ela é estilista de uma moda retrô, mas com um pequeno ajuste para a moda contemporânea, unindo o passado e o presente.

Seu objetivo é dar continuidade e ampliar seus horizontes, atendendo um mercado cada vez mais diferenciado e exigente, pois pelo que vimos, o que a move é o desafio e a exigência de colocar sua criatividade em movimento.

por Ana Bittar
Artista Plástica

Deixe uma resposta