A exposição “Centro de São Paulo em Movimento”, idealizada pelo jornalista, produtor cultural e escritor Maurício Coutinho em parceria com a produtora de eventos Mara Porto, propõe um olhar sensível sobre os patrimônios culturais e a riqueza arquitetônica da região central paulistana, ampliando o acesso da população à história e à estética da cidade. Entre os artistas participantes, destaca-se a obra da artista plástica Suely Shiba, cuja produção estabelece um diálogo poético entre a tradição oriental e a paisagem urbana brasileira por meio da técnica do Sumi-ê.
Originária da China e difundida no Japão a partir do século VII, a arte do Sumi-ê – caracterizada pela pintura em tinta monocromática – foi incorporada à cultura japonesa no século XIV, sobretudo com a influência dos monges zen-budistas. Diferente da representação literal, essa linguagem artística busca capturar a essência dos elementos, valorizando o gesto, o vazio, a sugestão e o silêncio visual. Para Suely Shiba, o Sumi-ê é mais do que uma técnica pictórica: é um caminho de autoconhecimento. “A prática exige repetição, paciência e entrega. É um exercício de concentração e também de equilíbrio interior. Por isso, é conhecida como a arte que busca a paz e a harmonia”, afirma.


A artista viveu por três anos em Osaka, no Japão, período em que aprofundou sua conexão com a cultura de seus ancestrais. Praticante do Sumi-ê desde 1995, sob orientação da mestre Rita Bohn, Suely integra essa linguagem à filosofia do Aikido, arte marcial que pratica desde 1989 e na qual é faixa-preta 4º Dan, formada pelo mestre Ono Shihan (in memoriam). Durante sua estadia no Japão, também manteve a prática da modalidade. No Brasil, dedicou-se por 14 anos ao estudo da caligrafia japonesa, o Shodô, orientada pelos Osensei Nemoto. Sua produção artística percorre temas como natureza, arquitetura, paisagens urbanas e memórias culturais, sempre preservando a essência contemplativa e minimalista do Sumi-ê.

Suely Shiba participa de festivais da cultura japonesa, eventos multiculturais e oficinas em SESCs, escolas, empresas e academias de Aikido. Suas ilustrações estão presentes em livros, revistas, campanhas publicitárias e produções audiovisuais no Brasil e no exterior, e suas obras integram acervos particulares em diferentes países. Nos últimos anos, a artista passou a explorar com maior intensidade a arquitetura brasileira e internacional, especialmente após integrar encontros do Urban Sketchers São Paulo. Em 2024, durante viagem pela Europa, produziu registros artísticos de cidades e vilarejos, ampliando ainda mais seu repertório estético.
“O Sumi-ê entrou na minha vida sem pretensão. Fui atraída pelo preto absoluto, que contém todas as cores. Aos poucos, percebi que ele também dialogava com minha origem, minha história e minha forma de enxergar o mundo”, conclui a artista.

Serviço
Exposição “Centro de São Paulo em Movimento”
Até 03 de fevereiro de 2026
Visitação Gratuita
Brigadeiria do Gil
Rua Alvares Penteado, 200 – Centro SP
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